terça-feira, 9 de março de 2010

Toy soldiers

"A minha vontade é forte, mas a minha disposição em obedecer-lhe é fraca." - Drummond.

"Carlos Drummond de Anrade morreu. Era o que restava de poesia. Sobraram vates patrióticos, canastrões dramáticos, revolucionários de botequim e robôs efêmeros cantando ninfetas narcóticas, calcinhas comestíveis, polícia. Sinal dos tempos?..."
"Vá a Brasília. Visite o Congresso. Há um bando de parasitas, desocupados, meliantes engravatados, safados e rufiões circulando por suas salas luxuosas, firmando pactos, acordos, negócios. Há entre eles aguns cidadãos abnegados que se elegeram na esperança de poder contribuir para a libertação e o desenvolvimento deste país.
São poucos.
Eles caminham com impotência entre os "próceres" que há décadas controlam tudo neste país, mudando de lado e de partido, dançando conforme a música, mentindo conforme o ouvinte, tramando conforme a vítima, cedendo conforme o lucro. Brasília continua uma cidade vazia de idéias e de dignidade. Ela reflete a decomposição moral em que este país de afunda (...)
Será que estamos em guerra?
Não, não estamos - mas estamos matando e morrendo. Vivemos em um país selvagem. Estamos matando nossa juventude, e nem ao menos nos indignamos mais. Quando perdemis nossa capacidade de se indignar - de gritar basta!Chega! Parem! - Quando silenciamos, a partir daí tudo passa a ser permitido.
Este país parece que está podre.
Você vai deixar que continue assim?".

Nestas chocantes e diretas linhas, Luiz Fernando Emediato descreve seu asco ao país no qual vivemos. Não necessáriamente o país, e sim o "sistema". Este texto pertence a década de 70/80.
Mas, me diz você... O inconformismo presente nas linhas acima não retratam a mesma situação na qual ainda estamos imersos?
Décadas de indignação pelos mesmos motivos não fizeram a situação mudar.
A indignação nunca faz nada mudar.

1 comentários:

Rogerio Martins disse...

bom texto. as vezes penso que isso nunca vai mudar.