segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pequenos Assassinatos

Eu ainda estou num estado letárgico.
Você pode achar algo comum, normal, tendo em vista o mundo no qual vivemos.
Você já está muito acostumado com a maldade e a perversão personificada em algumas pessoas frágeis que se permitem agir de forma criminosa e penosa à outrem.
Hoje minha irmã veio conversar. Um papo de "Não conta pra ninguém?"
Não prometi nada, pedi que ela contasse logo.
e ela disse:
-"Sabe, minha amiga me contou que o pai a estuprou. Aí a mãe dela largou do pai. Mas não denunciou pra polícia não."
Eu, branca feito papel especulei:
-"Você não perguntou mais nada? Não quis conversar?"
e ela...: -"Não."
Eu me perguntei até que ponto, o medo dela iria. Até ela ver uma vítima na sua frente e não aceitar a realidade? Não conversar? Não tentar ajudar?
Você leitor ainda não deve estar muito chocado ou surpreso.
Vou me desprender agora de todo meu padrão cultural e social da boa educação e ver se você realiza comigo um pouco.
Imagine uma criança de 10 anos.
Uma menininha, que vai pra escola todos os dias. Faz exercícios e provas e brinca, brinca como qualquer outra menininha de 10 anos que você vê e acha um doce, acha normal. Acha que é o futuro do mundo. Que vai ser o orgulho de alguém.
Agora imagine que essa pequenina possui um peso corporal leve, possui órgãos internos e sexuais em desenvolvimento. Possui olhinhos pequenos e brilhantes, mãozinhas que ainda se empenham em traçar uma letra de mão bonita num caderno de caligrafia.
Te atormentando mais ainda, imagine que essa garotinha não possui pelos pubianos, não menstruou, não se depila, não tem disposição para o sexo pois ainda nem se preocupa com os garotinhos da escola, a não ser para brincar de pique.
Agora imagine essa garotinho, doce e inocente sendo penetrada à força por um membro enrrijecido e desproporcional ao seu tamanho, de um homem barbado e desumano de 40 e pocos anos de idade que, de tão fraco cede à essa maldade animalesca e sem explicação.
Imagine as lágrimas de dor física e emocional que essa doce, agora triste garotinha derramou.
Imagine o olhar vago de incompreensão existente naquela pequena face, enquanto a perturbação e a desgraça tomavam conta daquele homem.

Agora imagine que esse homem está solto. Está livre, e agora solteiro...Com abertura para acabar com o futuro de quem julgamos ser o futuro do mundo.

Depois de ler tudo isso, você ainda está achando tudo muito corriqueiro?
Se sua resposta for sim. É uma pena o mundo ter te corrompido tanto a ponto de lhe arrancar a sensibilidade, o pavor.
Você leu aqui, mas um pequeno assassinato que cometemos todos os dias.
Esse pobre homem matou o espírito livre de uma criança.
Nós matamos uma centena de crianças com o nosso silêncio.

1 comentários:

Rogerio Martins disse...

Merecia ser preso e servir de mocinha na cadeia