segunda-feira, 9 de maio de 2011

Conversações

Foi um final de semana atordoante.

Muitas coisas vindo à tona de uma vez, e fingir flexibilidade...até mesmo indiferença, nunca foi do meu feitio.
Me vi uma pessoa conformada, se acomodando, acostumando com a juventude burguesa que tenho muito observado ultimamente de forma curiosa.
Estava começando a ficar assustada, acreditando que a única diferente, mais do que nunca, continuava a ser eu mesma...Pra variar.
É engraçadíssimo você ir pra cama...após ter ouvido um bando de jovens discutir sobre a loucuuuuura do "tapinha" que deram, ou do quanto a sociedade está equivocada sobre as drogas e mais uma porção de conceitos discutíveis...polêmicos, criados naquele mesmo momento.
Muito mais engraçado, é você acordar no dia seguinte, sair no portão da casa de sua avó... E observar, em plena 10h da manhã, um rapaz de chinelos, roupas esfarrapadas, coberto com seu "ouro" e seu celular tocando funk, distribuindo sua mercadoria num "gueto", entre os carros luxuosos que passavam, contrastando com as casas de tijolos quebrados e rebocos mal feitos que demonstravam o quanto a paisagem local não era apreciável.
Naquele momento, a tal classe média que sustenta aquela patifaria...Os meus coleguinhas de faculdade, parecem mais um bando de filhos da puta. Que sustentam também os filhos da puta dos morros, que continuam vendendo...Alguns morrendo, assim como os filhinhos de papai da classe burguesa que perdem a "mão" e morrem também.
Um procurando justificar o outro.
E a polícia?
Eu também me perguntei isso durante os dois dias em que estive naquele local.
Em nenhum momento do dia ou da noite, enquanto o tráfico rolava solto...Eu observei uma sequer viatura da polícia (senhores coniventes com a situação).
Eu não sinto pena do viciado, não sinto pena do traficante, muito menos do drogado pobre ou burguês.
Sinto pelo mundo, que caminha a passos sôfregos e paradoxalmente largos rumo ao desconhecido.

Estou chocada, estou chateada.
Mais do que nunca, impotente.

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