sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Chocolate

Às vezes dá um medo.
Medo de estar desperdiçando tempo e esperanças em algo que pode simplesmente me levar a lugar algum. Ou a um lugar diferente do que eu desejei e idealizei.
Nesse espaço curto e infiel de tempo que é o "Às vezes", coexiste em mim a idéia que perdura, e empurra o medo de lado. O tal do "agora", momentosinho complicado no qual eu me envolvo, e revolvo e me perco feliz.
É o agora que não me deixa mentir e desistir.
Que me faz versar, prosear, e sorrir sem motivo em um dia nublado...onde eu reclamei às nuvens pesadas a ausência daquele que faria meu dia mais ensolarado e quente que qualquer sol de fato faria.
O fato é que me preocupo demasiadamente com o que ainda não aconteceu, e como sempre...Sacrifico a dádiva que é o presente.
Só que dessa vez eu não quero me preocupar com o peso do futuro. Eu quero é sonhar a leveza dele, mesmo que sozinha...mesmo que quietinha, na hora de abraçar o travesseiro de forma peculiar que há tempos me abraça à noite. Eu quero o sono imperturbável de uma criança, que apenas se delicia com o chocolate, sem pensar no fim dele.
E, que seja doce.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A bebida e eu

Desde pequena ela me atraiu.
Era sempre muito interessante dar uma "bicadinha" na cerveja do pai, risonho, e fazer careta como quem acha ruim...mas no fundo esconder uma estima pelo amargor sentido.
Era intrigante observar como as pessoas se felicitavam, se confraternizavam e divertiam ao sorver tal líquido...talvez alí estivesse o néctar dos Deuses, da felicidade (observei errôneamente).
Com o passar dos anos, eu descobri uma maneira de tornar o álcool prazeroso...com o doce dos vinhos e licores, com os drinks preparados em copos esbeltos de bares singelos, ou até mesmo em copos americanos na pia da minha cozinha. O fato é que o sabor era bom, e o torpor era uma espécie de chave "liga/desliga"...onde a minha mente protagonizava a cena, e o restante do mundo mais se assemelhava à um bando de hipócritas irracionais, que vivem para morrer...sabendo o preço de tudo e o "valor" de nada.
Com o passar destes mesmos anos, O "Néctar dos Deuses" sorvido pelo pai, até então risonho, se tornou algo semelhante ao fel...que ao ser entornado transformava aquela feição, que em tenra idade me parecia feliz e eu tanto estimava, em sorriso amargo, desesperado, desequilibrado...que escondia a falta de força, e de fé.
Neste momento eu comecei a questionar o quanto a vida é frágil, e como conseguimos ser mais frágeis ainda...pior do que isso, somos seres derrotistas entregues a rotina, ao tédio, e as facilidades de cairmos em buracos dos quais nunca iremos nos reerguer.
A bebida que ora foi diversão, agora era tormento. Agora era perdição.
Não se bebia, se era bebido.
Se divertia? Às custas de magoar quem?
Aqui jaz um casamento, uma filha, uma família que já foi como aqueles adesivos de carro..."feliz". Nem mesmo os cachorros latem da mesma forma, nem mesmo uma conversa será igual.
Igual à quê? Talvez essa conversa bacana, e idealizada...nunca houvesse existido, e eu estou aqui criticando a presença de algo que sempre esteve aqui, e a ausência de algo que eu sempre desejei ter.

Eu desejo uma vida livre,
Onde as pessoas sejam donas de si mesmas, e não regidas por seus vícios e doenças...Sejam elas aparentemente boas ou ruins.
Sejam livres, sejam felizes por favor!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Seriedade Cômica

Na brincadeira eu sou a primeira a rir do escuro e a primeira a ascender a luz.
Me pergunto até onde irei aceitar o que a vida me propõe de braços abertos, defendendo suas teses, porém sentindo em meu íntimo...de um jeito completamente diferente?
A rocha é racional, é fato. É aquilo que desejo sentir.
Mas ela é dura.
Já a terra...Ah, a terra levanta vôo com o vento, percorre o espaço como num sonho...vai pra onde quer, sem destino, sem regras, sem fato, sem racionalizar.
Nem terra, nem rocha.
Sou algo pior. Sou uma mulher.
Sou uma humana frágil que busca força em palavras que me definam assim.
Ora rocha, ora terra.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Falando para si

O que deveria ser feliz, se torna triste.

É triste quando o ciclo se finda, se fecha.
Mais ainda quando não depende de você.
Eu gostaria muito de correr milhas, de plantar hectares distantes daqui para ver se a proximidade influi na intensidade da dor.
O Tempo, bálsamo que nos traz as respostas, parece mais um instrumento de tortura...Que provoca a ansiedade mais lancinante, e as expectativas mais insólitas que se pode ter.
Talvez ele tenha esse efeito sobre mim pois sou demasiada impulsiva. Meu desejo de resolver as coias num estante é frustrado, e me vejo aqui...Sentada a ralhar sobre coisas que todo mundo passa todos os dias, e que quando acontece comigo, parece o fato mais catastrófico do universo.

A verdade é que eu deveria ficar feliz, por ver de forma clara como a vida é uma oportunidade de ensinamento.
Temos o tempo, ademais temos a possibilidade da mudança, de trilhar um caminho idealizado e progredir. Temos tudo incrivelmente perfeito para que possamos escolher um caminho em uma bifurcação. Agora o que escolhemos, determinará o que somos, e arcaremos com suas consequências...Cedo ou tarde.

"Tenho repetido que, no que depender de mim, me recuso a ser infeliz".

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tensão pré MONSTRual

Eu ainda não sei bem explicar se é devido à TPM, ou alguma coisa minha mesmo.
Mas a minha bipolaridade hoje foi de um extremo ao outro, em dimensões esquisitíssimas...Onde os opostos conseguiam se misturar e coexistirem num sentimento só.
Uma alegria perturbadora. Uma vontade de rir sem motivo. De ter a absorta certeza de que está e sempre estará tudo bem.
Uma tristeza leve. Uma incerteza de que as vontades não são realidades...e que nem todas as pessoas racionalizam como eu. Não sentem como eu.
Só 'sentem muito'.
Eu até então senti muita felicidade nesses altos e baixos da minha vida particular-pública.
Achei que finalmente as pecinhas do quebra cabeça vital começavam a se encaixar, e eu poderia me recostar à sombra de uma árvore frondosa para aproveitar.
Mas o fato, é que mais uma vez as coisas não dependem de mim.
A árvore é um broto. Demorará para me trazer frutos, isso é se crescer. Se quiser me fazer sombra, companhia. Se não desejar por um campo mais florido, ou mais tempestuoso.

De qualquer forma. Existe uma inquietude silenciosa dentro de mim que insiste que as coisas ficarão bem.
Pra mim, independente do que for pra ser.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Mundo velho, ano novo

...Sempre nessa ordem.
Voltamos para aquela etapa onde criamos novas metas, traçamos novos rumos para seguir e ao fim deles nos julgarmos mais realizados.
Engraçado de o objetivo do "ano novo" seria a renovação. A transformação desse mundo desgastado, num lugar melhor para se viver. Mas o fato é que o "ano novo" vem cheio de promessas de emagrecimento, de novos empregos, de ganhos na loteria, de namorado novos e assim por diante.
Tudo tão material e superficial, que fica até difícil acreditar na reforma íntima que o evento de "Confraternização Universal" propõe.
Difícil não. Diga-se de passagem, impossível.
Pessoas bêbadas no primeiro dia do ano, transparecendo o desequilíbrio que deveria ter deixado de existir com o ano que se encerrou. Acidentes acontecendo, pessoas sendo vitimadas e tendo por único objetivo de 2012, continuarem respirando.
Pessoas que pedem paz e felicidade, e vão confraternizar com suas famílias, passando batido diante de famílias famintas embaixo das pontes, ou embrenhadas em matagais, que mal sabem o que é paz, felicidade, ou até mesmo confraternização. Talvez não saibam nem desejar um mundo melhor, por terem caído na descrença.

Somos seres tão paradoxais e deprimentes que acreditamos na mudança da qual não fazemos parte.
Esperamos dos outros, aquilo que não somos capazes de dar.