sábado, 21 de janeiro de 2012

A bebida e eu

Desde pequena ela me atraiu.
Era sempre muito interessante dar uma "bicadinha" na cerveja do pai, risonho, e fazer careta como quem acha ruim...mas no fundo esconder uma estima pelo amargor sentido.
Era intrigante observar como as pessoas se felicitavam, se confraternizavam e divertiam ao sorver tal líquido...talvez alí estivesse o néctar dos Deuses, da felicidade (observei errôneamente).
Com o passar dos anos, eu descobri uma maneira de tornar o álcool prazeroso...com o doce dos vinhos e licores, com os drinks preparados em copos esbeltos de bares singelos, ou até mesmo em copos americanos na pia da minha cozinha. O fato é que o sabor era bom, e o torpor era uma espécie de chave "liga/desliga"...onde a minha mente protagonizava a cena, e o restante do mundo mais se assemelhava à um bando de hipócritas irracionais, que vivem para morrer...sabendo o preço de tudo e o "valor" de nada.
Com o passar destes mesmos anos, O "Néctar dos Deuses" sorvido pelo pai, até então risonho, se tornou algo semelhante ao fel...que ao ser entornado transformava aquela feição, que em tenra idade me parecia feliz e eu tanto estimava, em sorriso amargo, desesperado, desequilibrado...que escondia a falta de força, e de fé.
Neste momento eu comecei a questionar o quanto a vida é frágil, e como conseguimos ser mais frágeis ainda...pior do que isso, somos seres derrotistas entregues a rotina, ao tédio, e as facilidades de cairmos em buracos dos quais nunca iremos nos reerguer.
A bebida que ora foi diversão, agora era tormento. Agora era perdição.
Não se bebia, se era bebido.
Se divertia? Às custas de magoar quem?
Aqui jaz um casamento, uma filha, uma família que já foi como aqueles adesivos de carro..."feliz". Nem mesmo os cachorros latem da mesma forma, nem mesmo uma conversa será igual.
Igual à quê? Talvez essa conversa bacana, e idealizada...nunca houvesse existido, e eu estou aqui criticando a presença de algo que sempre esteve aqui, e a ausência de algo que eu sempre desejei ter.

Eu desejo uma vida livre,
Onde as pessoas sejam donas de si mesmas, e não regidas por seus vícios e doenças...Sejam elas aparentemente boas ou ruins.
Sejam livres, sejam felizes por favor!

1 comentários:

Lika disse...

"Transformar histórias trsites em poesia..."