sábado, 28 de abril de 2012


Eu gostaria de voltar pro meu mundo de excessões.
de acreditar nas pessoas e na palavra delas, no sentimento delas.
parece que nada disso mais vale hoje. Esse mundo que chamam de Terra anda muito esquisito!
As palavras caem por terra com as atitudes...e os sentimentos se esvaem porque são demasiadamente efêmeros.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Era tanta coisa ao mesmo tempo, que ela já não definia mais as prioridades das coisas e sentimentos.
Ela sentia coisas que não sabia nomear, vontades que não sabia explicar e confusões que não sabia desfazer.
Pedia ao Alto que a orientasse, que a dor diminuísse...Ou que pelo menos se explicasse, para que ela pudesse enfrentar com mais empenho. Às vezes saber das razões nos faz lutar com mais vigor pela vitória.
Mas algo no fundo de tanta inquietude a aquietava:  Se a dor parecia tão enorme, e a batalha árdua. A vitória seria inesquecível, inigualável...tão mais grandiosa do que quão grande pareceu o sofrimento.

Numa das suas conversas com aqueles que não tem mais corpo físico, se sentiu melhor...e para as suas perguntas apenas ouviu num suspiro: "Força, Paciência e Foco. É tudo que você precisa saber e fazer agora".
E ela tentava obedecer.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ela de novo


E ninguém havia percebido ou fazia idéia do quanto a garota divertida, descontraída, às vezes maluca e sem papas na língua estava se sentindo.
Ninguém sabia do vazio. Da sensação de tempo suspenso e depois, perdido.
Nem imaginavam que naquelas quatro paredes o riso barulhento era silêncio, que a descontração era um lábio tenso mordido em uma parte, e que as papas na língua eram tamanhas, que era difícil até respirar aquele ar.
De tanto pensar, ela não conseguia pensar em mais nada.

Ela queria ir embora, mas sabia que precisava ficar.

domingo, 8 de abril de 2012

Se descompassava menos

Ela ouvia o barulho da chuva...E sentia os pingos na pele, o vento no rosto.
Mesmo estando dentro de casa. Mesmo com quatro paredes e teto para a proteger, ou seria privar?
A música num idioma estranho a agradava profundamente. E era a estranheza num sueco arrastado que a fazia sentir em casa, com os pingos na pele e tudo!
Há algum tempo ela já não sabia mais o que era casa, se contentava com frações de minutos onde ela plasmava a sensação de ter algo parecido. Fosse num abraço-laço, numa fragrância, numa conversa, numa música, ou pelo simples balançar dos cabelos cacheados na brisa úmida noturna.
Familiarizara-se com o desconhecido, o improvável, aquilo que não tinha família.
Via no torto, a oportunidade de concertar. Talvez não fosse quebrado, era só de encaixar!
E se no fundo, ela só buscava suas próprias frustrações? E se ela deixasse o impulso vital cotidiano a levar? E se ela parasse de remar contra a maré do dia-a-dia e aceitasse de uma vez por todas lambuzar a cara no verniz social e esperar que as dores do mundo doessem menos em seu peito dolorido.
Ela realmente pensava em tudo isso. Ela queria tudo isso.
Mas algo era demasiado grande e duro em sua cabeça jovem e fresca. E ela não parava de acreditar.
Teria de carregar o peso de ser ela mesma pelo resto da vida.
E assim ela é.
E saibam que às vezes dói.