domingo, 8 de abril de 2012

Se descompassava menos

Ela ouvia o barulho da chuva...E sentia os pingos na pele, o vento no rosto.
Mesmo estando dentro de casa. Mesmo com quatro paredes e teto para a proteger, ou seria privar?
A música num idioma estranho a agradava profundamente. E era a estranheza num sueco arrastado que a fazia sentir em casa, com os pingos na pele e tudo!
Há algum tempo ela já não sabia mais o que era casa, se contentava com frações de minutos onde ela plasmava a sensação de ter algo parecido. Fosse num abraço-laço, numa fragrância, numa conversa, numa música, ou pelo simples balançar dos cabelos cacheados na brisa úmida noturna.
Familiarizara-se com o desconhecido, o improvável, aquilo que não tinha família.
Via no torto, a oportunidade de concertar. Talvez não fosse quebrado, era só de encaixar!
E se no fundo, ela só buscava suas próprias frustrações? E se ela deixasse o impulso vital cotidiano a levar? E se ela parasse de remar contra a maré do dia-a-dia e aceitasse de uma vez por todas lambuzar a cara no verniz social e esperar que as dores do mundo doessem menos em seu peito dolorido.
Ela realmente pensava em tudo isso. Ela queria tudo isso.
Mas algo era demasiado grande e duro em sua cabeça jovem e fresca. E ela não parava de acreditar.
Teria de carregar o peso de ser ela mesma pelo resto da vida.
E assim ela é.
E saibam que às vezes dói.

3 comentários:

Lika disse...

Esse texto me lembrou MUITO minha personagem Amanda! 0o'

Stramundo disse...

Adorei, não sei porque esse texto conseguiu me passar as emoções dele claramente, senti cada uma delas. acho que principalmente pela vontade de largar tudo pelo que luto só para não ter mais que me preocupar com nada...

Adoro seus textos, mesmo que nem sempre comente estou sempre lendo-os...

Mari disse...

Obrigada gente! fico muito feliz pelas leituras e reconhecimentos!