sábado, 27 de setembro de 2014

Aos poucos me abri.
Te permiti.
Deixei que me conhecesse mais a fundo, no plano psicológico.
Tentei fazer o mesmo contigo, não sei se bem sucedida fui.
Em decorrência das nossas escolhas, nosso livre arbítrio, os desencontros seriam questão de tempo.
E foram.
Não me contentava, não me completava ser indiferença, ser mera opção.
Gosto do frio na barriga, mas gosto de mais.
Gosto da liberdade sem limitar meus sentimentos, meus dias, minhas palavras e sensações.
Fico sem hora pra ir embora, vou embora sem ter hora pra voltar... Tudo depende do nível no qual fui cativada por aquele momento, e pelos outros momentos em que eu desejar.
Pois foi neste clima que eu saí, e seguindo a brisa leve que faceira me carregava, decidi partir.
Quando tu se apercebeu, tentou reverter a brisa anonimamente, porque é do teu feitio omitir sua natureza. Mas ninguém manda nos meus ventos, na minha natureza que exalo ao caminhar.
Usou então da sua maldade. Da minha vulnerabilidade. Do conhecimento que te concedi quando lhe julguei merecedor.
Abusou da minha paciência. Do respeito e consideração que haviam sobrado.
Me esgotou.
Me cansou.
Foste baixo, humano fraco. Talvez uma criança mimada com seus quereres.
Tudo porque ainda não aprendeu que na natureza nada se pode controlar.
Nem criar.
Nem destruir.
Por isso continuo...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Eu confesso que lamento. E canso-me.
Lamento muito  por não ser mais um caso normal e bem sucedido.
Canso-me de pensar em uma forma de lhe tranquilizar em relação à isso.
Lamento por não seguir o senso comum, criando assim sempre atritos e discussões evitáveis no âmbito doméstico.
Canso-me de formular formas mais simples e dóceis de falar, transmitir meus ideais.
Sinto muito por não conseguir manter uma conversa sem ser tomada por comoção incontrolável e render-me às lágrimas que você sempre detestou.
Canso-me de chorar.
Sinto por não ser forte como você e te frustrar cada vez que ajo diferente do que você espera... Mas a verdade é que há um pouco de individualidade neste monte de expectativas de outros que me tornei.
Disso não me canso.
Lamento por não ter um emprego "convencional", e mais uma vez te desapontarei... Pois nunca o terei.
Cansarei de me explicar.
Lamento por me calar quando questionada sobre algo, por não ter forças para condensar em palavras o turbilhão que se faz em minha mente.
Cansada estou novamente.
Me perdoe por ser tão pouco do que você sonhou, e tão mais daquilo que quero para mim como indivíduo. Embora demonstre pouco com ações afetuosas (e a recíproca em muitos momentos é verdadeira), eu lhe tenho muito amor... E espero nunca ser tida como ingrata.
Que a sucessão de acontecimentos em nossas vidas seja capaz de trazer alento aos nossos corações tão semelhantes e ao mesmo tempo tão avessos. Que um dia tenhamos finalmente Paz.
Não ficarei mais cansada, enfim.

Paz e Bem,
Maristella.